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“Eles utilizaram o tempo concedido pela justiça para veicular uma mentira deslavada. O governo mente ao fazer jogo de números e querer confundir despesas de custeio com investimento. Eu digo isso e, além de dizer, provo.”
 

Almir Melo, secretário-geral do PMDB, ao acusar o PT baiano de faltar com a verdade no programa eleitoral concedido em direito de resposta e reafirmar que o Estado investiu mais em propaganda que Segurança Pública.

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14 de Dezembro de 2009Tamanho da letra A+ A-Assine o RSS


A ROTINA DA ASSEMBLÉIA

13:13:38

 Publicado por Samuel Celestino em A Tarde do dia 18 de dezembro de 1980
 

Afora acontecimentos episódicos e escassos pronunciamentos bem preparados, a Assembléia Legislativa baiana esmera-se em tocar seus trabalhos dentro de uma rotina enfadonha, que acaba por prostar o colegiado num estado de letargia quase geral. Os grandes temas, as análises ferindo fundo a realidade brasileira e baiana, os projetos de alcance maior foram, nessa legislatura, banidos da Assembléia.
 

Como a política local é centralizante, os deputados, salvo algumas exceções, socorrem-se nos cochichos e nas conversas despretensiosas da sala do cafezinho, onde, normalmente, o Sr. Antonio Carlos Magalhães é a figura central. Os deputados, das oposições ou do PDS, não conseguem romper o círculo para desenvolver pensamentos políticos, preferindo falar sobre as ações e os humores de Ondina.
 

Os oradores que se sucedem na tribuna – geralmente os mesmos, porque há uma grande maioria – que cultiva, com incrível zelo, o silêncio – arrumam temas do cotidiana para encher o tempo, enquanto outros, no plenário, esperam oportunidade para exercitar a esgrima verbal, em estocadas rápidas nos apartes solicitados.
 

Esta sonolenta rotina da Assembléia só é quebrada em momentos exasperação. Quando o nível dos diálogos descamba perigosamente, elevando o estado de tensão até explodir, como recentemente, em agressões físicas.
 

O líder do PDS, José Lourenço, que pelo posto que ocupa é obrigado a permanecer no plenário para organizar a defesa do governo, quando necessário, é, ao lado de Domingos Leonelli, Luis Eduardo Magalhães, Filemon Mattos e Genebaldo Correia, dos mais assíduos da tribuna. Lourenço, extenuado, lamentava, no final da sessão da última quarta-feira, esta rotina da Assembléia onde, de fato, são poucos os discursos que se pode ouvir em silêncio. Este comentário, aliás, não é só dele, mas comungado, de modo geral, pelos parlamentares acima citados e outros (poucos) mais que utilizam o mandato para uma atuação mais desenvolta.
 

O marasmo é tal que o jornalista Ivan Carvalho, que atua na cobertura dos trabalhos há mais de 10 anos e hoje se dedica, também, a leituras esotéricas dos textos de Nostradamus, arriscou um comentário irônico, ferino, mas até certo ponto pertinente.
 

- É tudo Muito chato. Isto aqui só melhora quando tem confusão.   

 

 



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